sexta-feira, abril 16, 2004

Olhando a água de um rio...

Para começar, sou filha de um Poeta! E que tem isso de especial? O simples facto de adorar Poesia e não conseguir escrever uma Rima que seja!
O meu Pai diz à boca-cheia que eu escrevo mas não mostro nada a ninguém. É mentira! Não escrevo nada. Escrevinho por aí. Dantes nos cadernos da escola, mais tarde nos blocos de apontamentos das reuniões no emprego, actualmente em fóruns e mais fóruns na net. Mas escrevo prosa. Há quem diga que é prosa poética. Ok, chamem o que quiserem. Para mim são apenas textos que me saiem na altura e é preciso que alguém me dê um mote ou crie um tópico.
Sou famosa no espaço cybernético pelos "testamentos". Tenho plena consciência que chego a ser brutalmente maçuda mas começo a escrever e não consigo parar. Sintetizar não faz parte do meu dicionário.
Tanto me chatearam para começar a guardar o que escrevo, tantas vezes elogiaram as minhas palavras, a minha forma de escrever e de expôr as ideias e os sentimentos, que acedi a criar um blog pessoal. Logo eu que há cerca de 5 anos que mantenho sites na net dedicado a outros (como os Xutos ou o Programa das Manhãs da 3) e que nunca achei que as minhas cenas pessoais ou a minha vida em si pudessem ter algum interesse que justificasse uma presença na internet.
Que eu saiba só tenho um grande feito na minha vida: o meu Filho!
Lá me convenci que a moda dos blogs me contagiou e, neste prisma, talvez faça sentido investir. A ver vamos se faz ou não!
Assim sendo, parece-me lógico começar pela única coisa que escrevi (a pedido de um amigo meu, claro!) e que guardei. Quer dizer, eu nem guardei. Escrevi no word, mandei para ele e o sacaninha é que o guardou e volta e meia manda-me por mail para que eu tenha sempre presente que o escrevi.
É o meu Auto-Retrato:

AUTO RETRATO

Pediste-me um dia
Que te contasse como sou,
Como me vejo por dentro,
Como alcanço dentro de mim
O que mais ninguém vê.

O que querias era tão só
O meu auto retrato.

Algo te dizia que só eu o saberia.
Eu te digo que nem eu o conheço
E para to provar escrevi assim:

Dr Jeckill & Mr Hyde… conheces?

Sou como a Branca de Neve,
Pura e ingénua mas…
Cuidado!
Viro Madrasta Má,
Sabida e perversa,
Num piscar de olhos!!!

Identifico-me com cada um dos Três Porquinhos;
Tão depressa sou alegre, como sizuda,
Responsável e leviana,
Previsível e Imprevisível.

Tenho muito de Lobo Mau,
Com a mania que sou esperta
Termino sempre com a sensação
Que voltei a fazer asneira!

Se juntares num só bolo
Cada um dos Sete Anões
Tens um misto de mim:
Soneca… adoro dormir mas por poucas horas!
Contente… é por natureza… mas quando estou
Zangada, estou mesmo!
Distraída… sem comentários!
Vaidosona… não comigo mas com o que faço!
Sabichona… até sei muita coisa!
Dunguinha… sou uma querida, não sou?

De Pato Donald tenho uma grande quota parte,
Tudo me acontece, Meu Deus!

De Gastão só mesmo o gostar de comprar,
Nunca ganho nada, nunca acho uma notinha…

De Tio Patinhas nem sombra,
Consumista sou, materialista nada!

A Margaridinha tem muito de mim,
Sou um poço de emoção,
Delicodoce em exagero,
Embora disfarçado!

De Cinderela acho que tenho pouco,
Eu até gosto de andar descalça…

A Gata Borralheira só se assemelha
Por mera obrigação do Lar
E quando a higiene o impõe…

Tenho muito de Bruxa Min,
Desajeitada…
E da Maga Patalógica também,
Truques não me faltam…
Muito jogo de cintura
Como diz uma grande amiga minha!

Mas, quanto a mim, é o Pateta
Que leva a Taça…
Meto-me em cada trapalhada mais confusa…
Safo-me sempre, com ou sem ajuda!

Se um dia quiseres saber
Qual a grande paixão da minha vida
Entra num motor de busca
E pesquisa por tudo o que te venha à ideia.
Encontrarás tudo o que este Mundo tem
E o outro também…

Em suma, eu sou o que sou e o que não sou
Eterna…
Efémera…
Não sei…

Gosto de pensar que serei Eterna
Para quem merece estes pozinhos de mim;
Gosto de me sentir Efémera
Porque nada neste Mundo resiste
Para Sempre!